quinta-feira, 29 de abril de 2010

Diário de Estanislene

Querido diário,

A minha patroa é muito esquisita, tadinha. Agora arrumou um tal de terapeuta; funciona assim: ela paga um tanto pra ele (aposto que é mais do que paga pra mim), vai lá uma vez por semana e fica reclamando da vida (foi mais ou menos isso que ela me contou). Diz ela que um dos problemas são umas dívidas aí. Agora você me diz: se eu tô com dívida eu vou arrumar outra despesa pra ver se resolvo o problema!? Prefiro reclamar com a Creuza, minha amiga lá do bairro. Ou então, se é pra resolver mesmo, melhor ir à Vovó Maria: traz a pessoa amada em três dias, resolve as dívidas e mais um tanto de coisa!
Povo rico é estranho...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Josenildo, o guia

TRÂNSITO

Belo Horizonte, ao lado de Paris, é conhecida como a Cidade Luz. Seus inúmeros semáforos trazem pueril alegria à cidade e a colorem de verde, amarelo e vermelho, especialmente vermelho.
As ruas de Belo Horizonte são uma atração à parte. Além das ruas que descem subindo, aqui não é exagero dizer que cada quarteirão lhe reserva uma surpresa! Há ruas que te levam a doze avenidas, ruas que te levam a outras ruas que te retornam à rua anterior, ruas que não te levam a lugar nenhum, ruas que andam em círculo, ruas de mão única, ruas de mão invertida e ruas de mão nenhuma (nessas, só se pode andar de ré).
Mas o melhor de Belo Horizonte são os belo-horizontinos! Engana-se quem diz que o mineiro só é solidário no câncer. Ao contrário das outras cidades, nas quais você precisa se preocupar com multas, aqui não há este problema. Cada motorista da cidade, ciente de seus deveres de cidadão, e preocupado com o bem-estar de todos, inclusive dos turistas, auxilia no cumprimento da legislação local. Você pode andar tranqüilo nas vias-expressas de limite de 60 km/hora! O belo-horizontino, desconfiado e prudente como sabido, faz questão de andar a 40 km e, para evitar que algum desavisado seja multado e tente ultrapassar pela esquerda, o motorista faz questão de ocupar esta faixa, ziguezagueando caso se pense em ultrapassar por outra.
Também, vale a pena para o turista visitar o metrô. Ao lado da Rua do Amendoim (que sobe descendo), o Metrô de Belo Horizonte é uma das maiores lendas da cidade (não é à toa que é a principal atração do Museu de Artes e Ofícios). Levando o Nada a Lugar Nenhum, é um verdadeiro passeio às margens do Arrudas animado por personagens da Disney e batuques de pandeiro.

domingo, 25 de abril de 2010

Dimenor não é mais virgem!




Sim, camaradas! Nosso amigo aí da foto nunca tinha pegado ninguém, mas estreiou em grande estilo. Vamos aos fatos:

Terça-feira - 20 de abril de 2010 - véspera de feriado. Um silêncio apossou-se, à noite, de minha casa. Já não ouvia mais os uivos cortantes, as latidas polifônicas ou as rosnadas raivosas. Não! Só poderia ser uma coisa: Dimenor havia fugido!
"Dimenor! Dimenor! Vamos passear, Dimenor! Olha o que eu tenho pra você, Dimenor!" Nada... Dimenor havia me abandonado! Rodei a madrugada inteira atrás do bichano... e nada...
Dia seguinte - 11:00h da manhã - Acordo com meus irmãos e minha sobrinha aqui em casa (isso mesmo, eles chegam de surpresa) e eis que ouço latidos: é o Dimenor!!! Dimenor havia arrebentado a cerca e pulado pra casa vizinha. Tava lá, todo faceiro, na companhia de duas garotas, digo, cachorras - uma loirinha e uma pretinha. "Queira Deus que elas não estejam no cio... Agora, já que não consigo tirá-lo daí, melhor esperar." Pensei.
Mesmo dia, à tarde - O vizinho chega em sua casa e eis que se depara com um cachorro maluco, rosnando e mostrando os dentes, como quem diz: "Vai procurar "suas nega", porque estas já têm dono!" Desesperado, grita aqui em casa, no que eu prontamente atendo. "O pior é que às duas estão no cio!". Disse o coitado. Aí entendi tudo.
Dimenor, cansado da vida celibatária e vendo aquelas duas beldades se oferecendo, logo deu um jeito de resolver seu problema. E em grande estilo: um ménage à trois com uma loira e uma morena! O dono daquelas oferecidas deu logo a sentença: "Saulo, agora que seu cachorro desonrou minhas meninas, você vai ter que assumir!". Resultado, metade da futura ninhada será minha! Tempos modernos, velhos problemas...

Obs: Depois, o dono das cachorras (que o são em ambos os sentidos), resolveu dar-lhes abortivo. Espero que não vire um drama familiar...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Josenildo, o guia

Continuando a série sobre Belo Horizonte, sigo com minhas dicas:

COMPRAS

A pujança econômica de Belo Horizonte propicia a existência de inúmeros shoppings, ou seja, uma variedade de lugares exatamente iguais. Neles, o turista pode passar horas se divertindo com as mais variadas atividades: compras.

O maior shopping da cidade é o BHpuxadinhoshopping. Com um pouco de sorte, o turista pode ser convidado para mais uma farofa de finalização da laje, inaugurando a milésima oitava expansão.

(Dica: ao visitar oBHpuxadinhoshopping,, recomenda-se levar um pote de milho para marcar o lugar no qual o carro foi estacionado.)

Mas se você for do tipo turista que não se contenta com as marcas chiques de segunda linha encontradas nos shoppings da cidade, há, também, uma outra opção: a Feira Mambembe Hippie. Nela podem ser comprados artigos produzidos exclusivamente na zona franca de Brumadinho, como havaianas de couro e bonecas com cabelo de piaçava.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Josenildo, o guia

Respondo agora uma pergunta de um leitor. Aí está:

Josenildo, meu caro,

Meu nome é Alaécio Nébias. Deparei-me, por acaso, com sua coluna. Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pela corajosa iniciativa de trazer a público as belezas e peculiaridades da recôndita capital mineira. Encantei-me por esta cidade exótica e ainda completamente desconhecida.

Seu artigo aguçou-me, ainda, a curiosidade acerca da (assim imagino) efervescente vida cultural do povo nativo dessa cidade. Assim, indago-lhe:

Quais as baladas mais frequentadas pela mocidade bonita, sadia e de boa família em BH? E, em especial, como vivem e o que pensam as jovens e casadoiras donzelas mineiras?

Saudações cordiais,
Alaécio.


Caro Alaécio,

Percebo que seu nome é sememelhante ao do nosso caro Governador. A julgar pelo nome, tenho certeza de que é um senhor respeitoso com as mulheres, um verdadeiro cavalheiro, incapaz de nelas bater ainda que com uma flor. Sobre elas (as mulheres), você deve saber que há em Belo Horizonte alguns tipos:

a)Pat Mcdonald's: anda sempre em bando de cinco: a "Lê", a "Fê", a "Lu" a "Bu" e a própria Pat. Têm até treze anos e ficam no Macdonald's Savassi tomando Milk Shake e ensaiando o futuro de bebedeira no Chalezinho, Buana ou qualquer outro lugar "zúper" legal. Têm uma língua própria, parecida com o português, que é uma mistura de fanho com pato arrastado. Melhor esperar um tempinho se quiser propô-las em casamento.

b) Mulher Coturno: Anda pelas portas da Obra, Mary in Hell, Velvet e coisas do gênero. Usa botas contrabandeadas do exército americano e faz aquela cara de "nem tô" pra todo mundo que passa. Isso só no início da noite. Depois de umas biritas, costuma se arrastar pelos bueiros e pegar o primeiro (ou primeira) que aparecer, mas, se você quiser ter mais chances, faça a cara "acabei-de-vir-de-nova-iorque-e-moro-num-galpão".
Atenção! Elas só ficam nas portas das boates (se é que tais pardieiros podem ter esse nome); lá dentro você só encontra gays, lésbicas fundamentalistas (0% de chance) ou outros tipos que não lhe valem a pena.

c)Trintona Casadoira: Muito cuidado com esse tipo! Vem de mansinho e, ao primeiro sinal, já tá na sua casa conversando com sua mãe e dando ordens pro seu cachorro! Costuma frequentar as boates da Raja Gabaglia, uma vez que não tem mais idade para o Chalezinho.

d)Quarentona chutei-o-pau-da-barraca: em bom português, está doida para dar! Ótimo tipo se você quiser apenas uma noite de aventura com alguém de material duvidoso... Frequenta lugares do tipo "Alambique", "Montana Savassi", "Engenho de Minas" ou qualquer outro lugar de baixo nível onde há cantorias de 2ª voz.

Bem, espero que tenha ajudado. No mais, boa sorte e muita paciência...